O que realmente encanta e prende a atenção é aquele sorriso
bobo de canto de boca, um olhar distraído e ao mesmo tempo enigmático, aquele
amarrar de cabelo singelo, um caminhar calmo, uma voz macia.
A real beleza se encontra camuflada nas sutilezas, na simplicidade,
no frescor que fica na pele após um banho matinal.
Um corpo definido, uma bela maquiagem, um cabelo de
comercial de shampoo chamam a atenção, sem dúvidas, mas não a prende por mais
que duas piscadas de olhos.
Depois disso são os detalhes, por mais que sejam banais à
primeira vista, que saltam os olhos...
Pare e observe uma pessoa distraída. Como há nela beleza
exalando por estar ali desligada, não se preocupando com quem a observa. Nesse
momento ela se encontra no modo mais puro do seu ser, onde não está tentando
impressionar ninguém.
Olha como é linda aquela pessoa lendo um livro, ou prestando
a atenção na aula, ou simplesmente sentada a esperar o ônibus e a mexer no
celular.
Ali meio desajeitada, desligada, distraída, leve, simples.
Como é charmosa aquela moça a prender os cabelos por achar
que está descabelada.
Como é sensual aquela moça que está lendo e ao mesmo tempo
com o dedo do meio arruma os óculos no rosto, por achar que ele está
escorregando pelo seu nariz fino e empinado.
Como é bela aquela moça que está com seus fones de ouvido a
caminhar pela rua ao ritmo de sua música preferida.
Quanta beleza cabe na sutileza, na leveza das pequenas ações
do nosso dia a dia.
Nosso olhar já está tão viciado a procurar a beleza no
corpo, no físico, que já estamos míopes para a beleza simples de um sorriso
acanhado ou daquela gargalhada sem pudor.
Essas pequenas cenas do cotidiano me encantam demais, fazem
minha pupila dilatar.
É uma explosão de cores e sensações inexplicável.
Repare os detalhes, saiba olhar as entrelinhas que seus
olhos poderão fotografar esse mar de poesia, naturalidade e encanto que há na
espontaneidade humana.

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