Estamos Consumindo Coisas Demais: Tanto Materiais Quanto Sentimentais

        É uma sede insaciável por acumular objetos, amores, amizades, histórias, que estamos nos esquecendo da sutileza e simplicidade que é viver.

Estamos evoluindo cada vez mais para o ápice do consumismo.

Tudo começou pela vontade de adquirir e acumular coisas materiais. Estar sempre trocando o celular, ter o carro do ano, não repetir jamais uma roupa, possuir variadas opções de acessórios, ou seja, diversos modelos de tudo. Não que isso seja errado, o problema é a dosagem.

Tal realidade foi se aprimorando tanto que hoje alcançou a área sentimental. Não foi bastante o acúmulo material, agora também colecionamos pessoas, amores, amigos, inimizades, paixões.

Como no famoso álbum de figurinhas, hoje preenchemos a memória com rostos de pessoas que passam por nossas vidas diariamente.

Aquela frase: “figurinha repetida não completa álbum” nunca fez tanto sentido. As amizades não duram mais que algumas baladas, os amores são descartáveis e as paixões só duram enquanto é novidade.

As relações humanas andam tão fluidas, nada mais é sólido, nada mais floresce. Todos os sentimentos estão sendo mortos por falta de regar amor e atenção.

Parece que tudo que envolve sentimento está em liquidação. Vai-se na vitrine, compra, usa até começar a se apegar e depois descarta, infelizmente é assim que as pessoas estão se relacionando.

Consumimos likes, comentários, solicitações de amizade, mensagens demais que não temos tempo para apreciar quem está realmente nos curtindo, quem são os verdadeiros amigos, quem realmente se preocupa.

As redes sociais abarrotadas de “amigos” só servem para comprovar isso. Compramos coisas materiais e logo vamos para a grande vitrine virtual postar fotos mostrando quão estamos “felizes” e “realizados” com que acabamos de adquirir, esperando impacientemente pelas curtidas e comentários, para ter a aprovação alheia.

Mas para que tudo isso? É o que me pergunto todos os dias. Tudo é gritado, tudo é exposto, parece que se tem uma necessidade de mostrar o quanto somos bons em não nos apegar a nada e nem a ninguém.

Tudo está etiquetado e com preços, sejam amores ou objetos banais, possuindo prazo de validade.

Parece estarmos em uma busca cega pela felicidade:

“- Não estou contente com esse celular, vou comprar outro;
- Estou triste, vou comprar algo para ficar mais feliz;
- Meu namoro está ruim, vou comprar... Digo... trocar de namorada;
- Minha amiga não gosta de balada, vou olhar na vitrine do facebook uma amiga mais legal;
- Não gosto daquela pessoa... “Vou procurar alguém que também não goste dela, daí teremos uma inimiga comum e isso é bom...”

 Ando cansada de pessoas que pensam ou agem desse modo. Por onde anda a sutileza, leveza, calmaria, a real e verdadeira felicidade? O real e verdadeiro sentimentalismo?

Estamos consumindo tanto que o próprio consumo criou vida e agora é ele que nos consome.

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