Felizes São As Crianças Que Ignoram Os Ponteiros Do Relógio E Demonstram Seu Afeto De Acordo Com Suas Próprias Emoções
























Meu sobrinho quando vem me visitar, quase sempre, traz uma flor e me entrega dizendo:
- Titia toma um presente!
Ou melhor, no bom português de criança:
- Titia toma um ""Plesente!""

Flor essa que ele pega pelo caminho e traz com todo carinho para me presentear. Um gesto tão singelo e ao mesmo tempo tão grandioso em sua significância.

Quanta sensibilidade a dele de apanhar uma flor e me dar, sem nenhuma segunda intenção.

Vejo pessoas indo à floricultura e escolher as flores mais belas e caras para presentear alguém, que bobagem, uma flor apanhada nos canteiros da rua, significa muito mais que as compradas em uma floricultura.

Já que pegar uma flor pelo caminho, significa estar pensando na pessoa antes mesmo de encontrá-la. E com apenas 4 anos o meu sobrinho já possui toda essa sensibilidade que me encanta.

Felizes são as crianças, que ignoram os ponteiros do relógio e por isso, não tem hora para demonstrar seu amor e afeto, e apenas seguem os comandos de seus sentimentos.

Estamos tão condicionados aos relógios que demonstramos afeto com hora marcada. As relações acabam ficando automáticas, nada mais surpreende, não há sutileza.

- Vou comprar umas flores/chocolates para agradá-la. Ah mas agora não dá para ir a floricultura ou mercado, estou indo para o trabalho, agora não dá estou indo para a faculdade, agora não dá estou indo para a academia, agora não dá meu horário de almoço é corrido, agora não dá estou atrasado, agora não dá terminei de sair do trabalho e estou cansado, agora não dá terminei de sair do curso só quero ir pra casa dormir, agora não dá estou ocupado demais, agora não dá estou irritado com meu chefe, agora não dá tenho que estudar, agora não dá tenho que ir correr, agora não dá, agora não dá, agora não dá!

Para, agora dá sim, sempre deu!
Não é preciso reservar horário para dizer que ama, para agradecer, para agradar.

Voltando do trabalho, apenas colha uma flor pelo caminho e entregue-a a alguém que deseja, e essa pessoa já ficará imensamente feliz. Pelo gesto e por perceber que mesmo cansado de trabalhar você teve a sensibilidade de pensar nela e roubar uma flor do canteiro da praça, tão somente para lhe proporcionar um sorriso.

A vida anda muito corrida, mas não precisa de muito para proporcionar felicidade. A simplicidade encanta bem mais que o refinamento.

Uma florzinha de beira de rua pode valer bem mais que os buques ou chocolates caros que você nunca tem tempo para comprar!

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