Ao me deitar todos os dias, reflito sobre o que eu sou e o
que eu queria ser e nem sempre vou dormir satisfeita, minha realidade destoa
dos meus desejos. Por isso preciso alimentar minha fé de que dias melhores
virão, para não me definhar, para não ir me perdendo de vista.
É cruel viver de vontades, é cruel viver
com fome e sede de ser outro eu.
Nessa busca incessante de alcançar meus
desejos, de ser original aos meus anseios me perco em meio aos questionamentos.
Porque não sou o que desejo? O que me impede? O que me trava? Porque não me
movo?
É não sei responder, talvez seja cedo,
talvez seja tarde demais! Mas alimento dentro de mim uma fé cega, talvez alimentá-la
seja o que me resta, mas já é alguma coisa.
Com todas as minhas forças almejo
alcançar minhas conquistas. Quem sabe amanhã ao me deitar eu já me encontre
satisfeita com o rumo e as escolhas que fiz
para a vida.
Mas, mesmo que amanhã minha insatisfação permaneça,
alimento a esperança de ainda poder deitar sorrindo com as surpresas que a vida
me reserva.
Talvez eu não conquiste nada, talvez
minhas prioridades mudem, talvez eu mude todas as minhas certezas para o
futuro.
Talvez eu mude, talvez tudo mude, talvez
tudo permaneça como está.
Alimento minha fé para não me decompor,
não quero virar pó na estante da vida, não quero ser o rastro dos meus desejos.
Não quero ser poeira que irrita os olhos,
quero ser flor que exala perfume, que proporciona sorrisos.
Quero ser beijada pelo vento e pelo beija
flor.
Quero ser muita coisa, mas por hoje ainda vou dormir
insatisfeita. O que eu quero e o que eu sou são vizinhos inimigos que não
conversam.

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