Ando com o estoque de paciência baixo, preciso rapidamente
ativar o modo econômico, antes que o que me impede de explodir se esgote.
As pessoas, ultimamente, falam alto demais para meus ouvidos
sensíveis, na multidão estérica prefiro caminhar na contramão, pelas esquinas
do silêncio. Nada que me faça perder a paciência merece minha atenção. Corro
dos decibéis pelas ruelas vazias de opiniões formadas e gritadas aos quatros
cantos.
Na sociedade que grita sou o observador, moro na rua dos
vazios de certezas, sou vizinho dos questionadores, dos que têm dúvidas.
Hoje todos estão servidos com pratos de argumentos prontos,
decisões irretratáveis, tarefas, horários, metas. Mas, nas prateleiras da minha
casa quase nada se tem a ser oferecido, elas andam vazias, me dou ao capricho
de não guardar nada por muito tempo, não acumular poeira.
Com a escassez de paciência aprendi que temos que reservar
tempo para o nada, ter todos os nossos horários preenchidos nos faz
enlouquecer.
Agora moro na Rua da Calmaria que faz cruzamento com a Rua
do Silêncio, onde nas esquinas e curvas só escuto o cantar dos pássaros ou até
mesmo o nada, que na verdade tem muito a dizer.
Quando vejo alguém vindo falando alto, apontando dedos,
ultrapassando o limite dos decibéis recomendável, logo esquivo-me. Assim, tenho
preservado o pouco do que me mantém paciente.
Bater de frente com quem se acha acima do bem e do mal não é
o correto. A solução está em esquivar-se, deixar ir. Manter as prateleiras
vazias é questão de sabedoria, mas sobretudo, sensatez.
Cecília Santiago

Cecília falar baixo, falar com amor. Falar pouco e dizer muito. Silenciar para ouvir. Adorei seu texto!
ResponderExcluirFico feliz por ter gostado, é viver na sutileza!
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